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Cartas

Injeções desnecessárias

As injeções são muito populares nos países em desenvolvimento. É muito difícil persuadir os adultos que as injeções são raramente necessárias e que outros tratamentos seriam melhores e menos perigosos. As injeções podem transmitir doenças ou causar abscessos se agulhas e seringas não forem esterializadas apropriadamente para cada injeção.

Estudos recentes também mostraram que as injeções aumentam a paralisia causada pela poliomielite. Com um colega indiano estudei recentemente os efeitos de injeções em crianças com poliomielite em um hospital no sul da Índia. Examinamos 262 crianças com poliomielite. Entres elas, 174 haviam tomado injeções desnecessárias menos de dois dias antes do começo da paralisia Descobrimos que uma injeção em um braço ou perna aumenta a probabilidade de paralisia naquele braço ou perna em 20%. Também descobrimos que as injeções aumentam a lesão dos músculos daquele braço ou perna. As injeções estavam mais provavelmente relacionadas com morte ou falta de recuperação dos músculos. Quase um terço das crianças não teriam tido paralisia sem as injeções desnecessárias.

Muitas injeções (especialmente as usadas para febre e diarréia em crianças e bebês) são desnecessárias. Se outros medicamentos fossem administrados por via oral, os efeitos da poliomielite seriam então reduzidos. Devemos persuadir as mães que injeções desnecessárias para seus filhos que estejam doentes deveriam ser evitadas.

Dr H V Wyatt Dept of Clinical Medicine Leeds University 1 Hollyshaw Terrace Leeds LS15 7BG

EDITORA: O Dr Wyatt gostaria de receber cartas de qualquer pessoa interessada neste assunto. Detalhes completos destes estudos estão à disposição. Quaisquer informações de crianças com poliomielite e o uso de injeções seriam muito bem recebidas.

Pedido de materiais de ensino

A organização consede, em Honduras, pede informações aos leitores. Com outros cinco grupos eles estão preparando um manual para ensino de Agricultura. A idéia deles é a de simplificar o ensino e aprendizagem de técnicas de Agricultura em seus projetos. Ficariam muitos satisfeitos em receber informações dos leitores sobre outras publicações úteis que eles poderiam adaptar. Eles acham que a Paso a Paso é muito útil e procuram materiais semelhantes. Materiais em espanhol seriam ideais.

CONSEDE Apartado Postal 4339 Tegucigalpa Honduras C America

Anotações em ordem alfabética

A edição desta revista sobre alfabetização (Março de 1994) me fez lembrar de um incidente no hospital onde trabalho. Precisavamos montar um sistema de registro após termos tentado guardar os dados em ordem alfabética sem termos tido sucesso.

Era sempre muito difícil conseguirmos descobrir os dados de um paciente. As pessoas aqui usam uma quantidade limitada de nomes, fazendo com que muitas pessoas na mesma área tenham o mesmo nome e sobrenome. Muitos não sabem a sua data de nascimento e por isso não podíamos usá-la como referência. Decidimos organizar os dados primeiro por aldeia e depois por nome.

Mudimbi era um dos atendentes responsáveis por organizar o novo sistema. Organizamos as pastas primeiro por aldeias, depois por nomes e começamos a usar o sistema no hospital. Após dois dias descobrimos que o sistema não estava funcionando.

Nos reunimos com os dois responsáveis e percebemos que os problemas começaram quando precisávamos da segunda letra. O nome Debbe vem antes ou depois do nome Dobbe? ‘Parece que não consigo lembrar o alfabeto’, explicou Kitengie. Onde ele mora há muito poucos livros e não há necessidade de se saber o alfabeto. Escrevemos o alfabeto e explicamos passo a passo como o sistema funcionava. Colocamos um pedaço de papel grande na parede com o alfabeto, em frente da mesa onde o Kitengie e o Mudimbi trabalha. Assim eles poderiam memorizar as letras e a ordem delas sem que percebessem. Mais tarde, um colega do escritório ouviu o Kitengie explicando com grande entusiasmo para alguém como o sistema funcionava. ‘Agora os dados sobre nossos pacientes está em boa ordem!’

Nós também aprendemos uma lição. Não devemos supor que as pessoas com as quais trabalhamos terão o mesmo nível de alfabetização.

Sra C Ostins Kipushya Hospital Zaire

Comunicação em tempo de guerra

A partilha de idéiase de experiências entres agricultores e entre agricultores e técnicos não é um processo fácil. Se torna ainda mais difícil durante uma guerra civil. As comunicações se tornam muito difíceis e poucas pessoas continuam se dedicando a trabalhos de extensão em Agricultura. Por outro lado, estas mesmas dificuldades fazem com que a necessidade de se partilhar informações seja ainda mais importante. Durante a recente guerra civil, trabalhamos com o programa de Agricultura da diocese de Chalatenango (no norte de El Salvador, onde os efeitos da guerra civil foram sérios). Planejamos uma série de visitas a diferentes igrejas durante as estações do ano agrícola.

O líder de cada igreja anunciou com bastante antecedência a nossa visita pois assim todos os agricultores interessados poderiam participar. Marcamos as reuniões para logo após o culto de domingo, por ser o dia em que a maioria das pessoas não trabalha. Em algumas ocasiões tivemos agricultores de 15 comunidades diferentes, todos pertencentes à mesma diocese. Muitos agricultores trouxeram amostras da colheita que foram danificadas, que tinham alguma doença ou que foram destruídas por alguma praga de insetos.

O próximo passo foi achar uma solução para estes problemas. Ulises pediu que todos nos contassem quais eram seus problemas mais sérios e daí preparei uma lista. Perguntamos então quantas pessoas tiveram os mesmos problemas pois assim poderíamos lidar primeiro com os problemas que afetavam a maioria das pessoas.

Para que achassemos uma solução para estes problemas, primeiro pedimos aos agricultores que dissessem como eles tentaram resolver os problemas. Às vezes as soluções vieram dos próprios agricultores. Todos nós batemos palmas, por exemplo, quando o Juan nos contou como ele controlou um problema com ratos, usando as sementes da árvore ‘Madre de Cacao’ (Gliricidia sepium) ou a casca em pó desta árvore misturada com arroz ou milho e usada como veneno. Nós oferecemos ajuda apenas quando ninguém presente tinha a solução.

Desta forma, todos aprendemos uns dos outros e juntos achamos soluções para quase todos os problemas. Após a reunião os agricultores retornaram às suas comunidades e contaram a vizinhos e parentes o que tinham aprendido.

No trabalho de extensão em agricultura é essencial que se compreenda que ninguém pode saber tudo e que todos podemos aprender uns dos outros.

Wilfredo Morán 3a CP No 9 Chalatenango El Salvador C America

 

This page was last updated on 05 October 2005