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O controle da tuberculose

Muitas idéias diferentes foram tentadas e sugeridas. Alguns acreditam que a única esperança se encontra em novas drogas e vacinas. No entanto, há outras maneiras de se ajudar a melhorar programas de controle da tuberculose.

O tratamento eficaz para a tuberculose foi inicialmente desenvolvido nos anos 50, mas frequentemente muitos pacientes ao redor do mundo ainda não têm acesso a ele. Há três atividades principais que são úteis no controle da tuberculose nos países em desenvolvimento.

Identificando o paciente O primeiro passo é identificar as pessoas que procuram tratamento que possam estar com tuberculose ativa. Todos os pacientes com uma tosse persistente que dure mais do que 2 ou 3 semanas devem ser testados. Isto é geralmente feito usando-se microscópios que localizam os bacilos da tuberculose no esputo de pacientes infectados. O teste pode também ser feito com o uso de Raio X, que mostrará a presença da tuberculose nos pulmões, além da prova da tuberculina. Ambos são caros e não muito precisos na identificação de pacientes com doença ativa. Todas estas técnicas exigem treinamento simples.

Tratando o paciente Os bacilos da tuberculose não são fáceis de destruir, pois rapidamente se tornam resistentes a qualquer tipo de drogas. Por causa disto, é administrada uma combinação de pelo menos três drogas. O tratamento é longo, geralmente entre seis a doze meses.

A tuberculose pulmonar pode ser curada em quase todos os casos. Uma vez que o tratamento inicia, o paciente não mais infetará a outros.

Cuidando do paciente Um tratamento bem sucedido da tuberculose envolve o uso de drogas diferentes por um longo tempo. É muito importante que o pessoal de saúde compreenda isto. Eles devem explicar aos pacientes a importância de se completar o tratamento. Os pacientes geralmente se sentem melhor após algumas semanas de tratamento e páram então de tomar a medicação. Talvez eles não tenham condições de comprá-la ou não se importam. Apesar de se sentirem melhor, os bacilos da tuberculose não estão mortos. Mais cedo ou mais tarde, a doença ativa retorna. Um novo tratamento é então necessário mas pode não estar disponível. Os programas de prevenção da tuberculose tentam prevenir que esta situação aconteça supervisionando os pacientes e investigando se eles continuam o tratamento.

Quando um paciente interrompe o tratamento, os bacilos da tuberculose podem se tornar resistentes às drogas usadas. Daí então uma doença curável se torna um risco à vida, não apenas para o doente mas também para outros que podem ser infectados.

O CAMINHO À FRENTE

Medidas simples podem melhorar estas três atividades. Segue abaixo uma variedade de idéias úteis que servem para qualquer comunidade…

Identificando o paciente

  • Aumente o treinamento do pessoal de saúde e o número de microscópios disponíveis. Isto não significa que se necessite de laboratórios em todas as unidades de saúde, desde que o transporte para os laboratórios centrais seja eficiente e os resultados dos exames sejam enviados rapidamente.
  • Todos os profissionais de saúde devem estar mais a par do problema da tuberculose para que possam testar mais pessoas suspeitas de ter a doença.
  • O público em geral precisa estar mais a par da tuberculose para que mais pessoas possam se voluntariar a serem testadas.

Tratando o paciente

  • Cada paciente precisa de tratamento com a combinação mais apropriada de drogas para o seu caso (seguindo as diretrizes gerais para cada país).
  • Os pacientes e suas famílias devem ser ensinados acerca do tratamento da tuberculose.
  • Previna o aparecimento de resistências ás drogas contra a tuberculose usando-as corretamente.
  • Previna o roubo e uso indiscriminado de drogas contra a tuberculose.
  • Para evitar confusão, todas as drogas contra a tuberculose dentro de um país devem vir de uma mesma fonte com a mesma embalagem, quando possível.
  • Use as drogas mais modernas sempre que possível. Apesar de serem mais caras, no final a quimioterapia de curto prazo permite melhores resultados e é mais econômica.
  • Use apenas use uma combinação de drogas que tenham sido comprovadas como capazes de prevenir a resistência às drogas e que curem quase todos os pacientes. A resistência às drogas é sempre o resultado de tratamentos mal feitos.
  • Reduza o período de permanência no hospital até no máximo uma semana (ou nenhuma permanência) para a maioria dos pacientes, a menos que estejam muito doentes.

Cuidando do Paciente

  • Promova a informação sobre a tuberculose tanto por parte do público como dos que rabalham na área de saúde.
  • Tome medidas de supervisionamento e motivação de todo o pessoal de saúde.
  • Envolva os que trabalham na área de saúde comunitária na supervisão da comunidade.
  • Melhore a comunicação entre o pessoal de saúde e os pacientes.
  • Elabore programas de tratamento que sejam fáceis para os pacientes usarem em casa.
  • Execute programas de tratamento regionalmente. Isto facilita que se encaminhe pacientes a unidades de saúde e distritos diferentes. Não execute programas de luta anti-tuberculosa isolados.
  • Melhore a qualidade das visitas aos pacientes em seus lares e programas de apoio.
  • Aumente a quantidade disponível de assistência à saúde a todos os pacientes de várias maneiras…
    • física (distância dos centros de saúde
    • econômica (certificando-se de que o tratamento está disponível até mesmo para os mais pobres)
    • cultural (provendo quando apropriado, por exemplo, funcionárias do sexo feminino que cuidam de pacientes do sexo feminino).
  • Forneça aconselhamento aos funcionários e aos pacientes que têm que lidar com os efeitos penosos da tuberculose e da AIDS/SIDA. Em muitas áreas, a ligação entre as duas doenças já é tão forte que as pessoas pensam que elas se tratam da mesma doença. Considere a introdução de algum tipo de aconselhamento antes que testem o esputo do paciente pois um resultado positivo pode frequentemente indicar que o paciente também é HIV positivo. Treine conselheiros em programas de controle da AIDS/SIDA e em questões ligadas à tuberculose.

Questões ligadas à infecção pelo HIV

O desenvolvimento da tuberculose é frequentemente o primeiro sinal de que a pessoa possui a infecção pelo HIV. Um teste de HIV provará isto, apesar de que às vezes outros sinais podem indicar que a infecção pelo HIV é provável.

O tratamento da tuberculose em pacientes com HIV requer as mesmas drogas, que irão controlar (mas geralmente não curar) a tuberculose. A resistência a múltiplas drogas pode ser mais comum em pacientes infectados pelo HIV que se esquecem de tomar sua medicação regularmente.

Há também evidência que a tuberculose em pessoas infectadas pelo HIV pode apressar o desenvolvimento da AIDS/ SIDA. No entanto, a causa de morte de um paciente tratado para a tuberculose é provavelmente devida a outras complicações da AIDS/SIDA.

A idéia de se dar medicamentos preventivos a pessoas saudáveis reconhecidamente em risco de desenvolverem a tuberculose ativa, é útil. O tratamento (normalmente isoniazida) é feito por seis meses, normalmente com pessoas com a infecção pelo HIV e que apresentaram um resultado positivo no teste da tuberculose. Para a maioria dos países, os números envolvidos são tão grandes que o dinheiro e a organização necessários faz com que isto seja quase impossível. No entanto, não há dúvidas de que este treinamento preventivo seria compensador e mais barato do que fornecer tratamento para a tuberculose. Várias testes estão sendo executados para averiguar se isto é possível. As três coisas importantes no controle da tuberculose (Identificar o paciente, prescrever o tratamento correto e cuidar do paciente) devem estar funcionando bem em todo o país, antes que um programa deste tipo possa ter início.

O Dr Paul Saunderson trabalhou no Uganda durante dez anos com a Tearfund, e no momento é o diretor responsável pelo controle de lepra e tuberculose na organização ALERT na Etiópia. Ele gostaria de se corresponder com leitores. Escreva para…

ALERT, PO Box 165, Addis Ababa, Ethiopia.

DEFINIÇÕES

BACILOS um tipo de bactéria com um formato longo e fino
PULMONAR relativo aos pulmões
PANDEMIA envolve o mundo inteiro
RESISTÊNCIA capacidade de combater a doença

 
Tuberculose – o que você deve e não deve fazer 

Você deve sempre examinar o esputo se os sintomas (como tosse persistente) sugerem a existência de tuberculose.

 

Você deve certificar-se de que o paciente compreende que o período completo de tratamento é necessário, mesmo que os sintomas venham a desaparecer após pouco tempo (se possível dê um folheto ao paciente explicando isto).

 

Você deve ser amigo e simpático. Assim é mais provável que o paciente volte para obtener a medicação e continuar o tratamento.

 

Você deve examinar toda a família e contactos, especialmente se estão doentes.

 

Você deve colocar o nome do paciente no registro de pacientes com tuberculose e entregar-lhe um cartão com as datas das consultas marcadas. Certifique-se de que os pacientes entendem o procedimento e que irão se lembrar da data marcada.

 

Você deve enviar alguêm à casa do paciente se ele não voltar na data marcada para a consulta.

 

Você deve avaliar regularmente o seu estoque de medicamentos contra a tuberculose e assegurar-se de que não venham a faltar.

 

 

Você não deve esquecer que qualquer pessoa com uma tosse forte e persistente pode estar com tuberculose, especialmente se ela tem febre e perda de peso.

 

Você não deve esquecer de analisar o esputo.

 

Você nunca deve dar uma droga única, use sempre a combinação de drogas recomendada.

 

Você não deve esquecer de investigar porque um paciente não voltou e persuadílo a completar o tratamento.

 

Retirado do livro Clinical Tuberculosis (informações na página Recursos), com permissão da TALC e dos autores.


This page was last updated on 05 October 2005