Assuntos polêmicos: A saúde da mulher.
Isabel Carter.
Nesta edição da Passo a Passo, abordamos algumas questões de saúde relacionadas às mulheres, as quais com freqüência não são discutidas abertamente. Apesar das questões serem todas diretamente relacionadas com a saúde da mulher, esperamos que elas sejam também de interesse para nossos leitores homens. Os homens precisam aprender, se importar e, em alguns casos, fazer algo a respeito destas questões. Algumas delas, como a circuncisão feminina, levantam questões importantes de mudanças sociais em crenças e costumes.
‘Apesar das mulheres constituirem metade da população mundial, elas recebem um décimo da renda mundial, fornecem dois terços das horas trabalhadas no mundo e possuem apenas um centésimo da propriedade mundial’. (Conferência Mundial do Trabalho 1980)
Quando bebês e meninas jovens, elas freqüentemente recebem uma dieta pobre e menos cuidados médicos do que seus irmãos. Muitas mulheres nos países em desenvolvimento têm uma saúde fraca, dietas inadequadas e trabalham demais. As necessidades de saúde das mulheres com freqüência recebem uma prioridade muito baixa por parte dos técnicos de saúde. Esperamos que, ao levantar nesta edição algumas das questões de saúde mais polêmicas, poderemos incentivar conscientização, discussão e abertura. Ao contrário da maioria das edições, usamos poucos diagramas desta vez para evitar ofender os leitores. Em algumas ocasiões foi necessário usar termos médicos difíceis e na página 3, introduzimos o uso de um glossário para ajudar os leitores a compreenderem alguns dos termos mais difíceis usados nesta edição.
A questão da circuncisão feminina é uma das que podem causar sentimentos fortes. Acima de 110 milhões de mulheres são circuncidadas – a maioria em países da África Ocidental e Oriental. Em países como a Etiópia, Somália, Serra Leoa e Sudão, acima de 80% da mulheres são circuncidadas. É também praticada no sudeste da Ásia e na América Latina. Abordamos os problemas de saúde que esta prática pode causar e usamos a história de uma moça como um exemplo de quão difícil pode ser quando se vai de encontro a costumes tradicionais. Para muitas mulheres, a circuncisão ainda é considerada como sendo vital para manter a pureza, para se ganhar respeito e atingir maturidade completa. São geralmente as mulheres que tomam a decisão quanto à circuncisão. É apenas através de discussões abertas sobre esta prática que se conseguirá atingir uma compreensão dos riscos para a saúde e bem estar. Somente depois disso as mulheres poderão tomar decisões equilibradas e com liberdade.
As mulheres são freqüentemente consideradas como cidadãs de segunda classe, ensinadas a se sentirem envergonhadas de seu corpo e de suas necessidades e funções normais. Mas aos olhos de Deus, todos nós temos o mesmo valor e importância. Esperamos que esta edição ajude os leitores a discutirem assuntos embaraçosos mais abertamente e produza maior compreensão das necessidades de saúde da mulher.