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Redes de pessoas portadoras do HIV

Roger Drew.

Quando você conversa com pessoas que trabalham com o HIV e a AIDS (SIDA), ou lê o que eles escrevem, não demora muito para você encontrar as palavras trabalho em rede. O que isto significa exatamente? Uma definição simples pode ser unir-se a outros indivíduos ou grupos para beneficiar-se um ao outro.

Por que unir-se?

Por que é que os portadores do HIV/AIDS (SIDA) sentem a necessidade de unir-se a outras pessoas em algum tipo de grupo ou rede? Há muitos motivos possíveis. Alguns deles são:

Apoio psicológico/emocional/espiritual Descobrir que está contaminado com o HIV pode ser um choque enorme – unir-se a outras pessoas portadoras do HIV pode proporcionar um grande apoio.

Sensação de se pertencer a algo Muitas pessoas portadoras do HIV passam por sentimentos de rejeição e isolamento. Unindo-se a outras pessoas também portadoras do HIV pode proporcionar um espaço seguro em que elas se sentem aceitas e bem-vindas.

Acesso a informações Os grupos de pessoas que vivem com o HIV podem possuir um acesso maior às informações (por exemplo, os tratamentos ou terapias alternativas mais recentes) do que os indivíduos sozinhos.

Acesso a recursos Muitas pessoas portadoras do HIV são pobres. Elas podem achar que, pertencendo a um grupo, obterão acesso aos recursos de que precisam.

Oportunidades para ajudar-se a si mesmo Muitos grupos de pessoas que vivem com o HIV procuram tentar resolver a pobreza através de iniciativas para que as pessoas se ajudem a si mesmas. Estas podem ser sistemas de crédito, tentativas de geração de recursos e treinamento.

O que impede as pessoas de se unirem?

A maioria das pessoas que vivem com o HIV/AIDS (SIDA) no mundo não fazem parte de uma rede formal. Por quê? Alguns dos motivos são:

A maioria dos portadores do HIV não sabem que estão contaminados Em muitas partes do mundo, há pouco ou nenhum acesso a exames para o HIV. Muitas pessoas não querem ser examinadas por medo de sofrerem discriminação.

Desejo de sigilo Porque muitas sociedades possuem atitudes negativas em relação às pessoas portadoras do HIV, as que descobrem que estão contaminadas desejam manter sigilo sobre o fato.

Falta de conhecimento As pessoas podem não saber que grupos existem ou que serviços eles podem oferecer.

Outros compromissos As pessoas portadoras do HIV podem fazer parte de outros grupos existentes. Da mesma forma, elas podem possuir outros compromissos – tais como um emprego – o que significa que elas não podem participar de certos grupos.

Outras redes

As redes não começaram com o HIV. Muitas já existiam muito antes da epidemia começar, tais como redes de grupos de mulheres, organizações de agricultores e grupos de igrejas. Elas já satisfazem muitas das necessidades mencionadas anteriormente. Por causa das atitudes negativas associadas com o HIV em muitas sociedades, algumas pessoas acreditam que o fortalecimento dos grupos existentes pode proporcionar um apoio maior às pessoas que vivem com o HIV do que a formação de novos grupos específicos. No entanto, os grupos existentes podem achar difícil incentivar discussões abertas sobre o HIV nos encontros, mesmo que os membros existentes estejam dispostos a receber novos membros portadores do HIV. Isto significa que faltará o apoio específico para a contaminação.

Outras redes podem enfocar questões específicas. Por exemplo, grupos estão sendo formados para viúvas e órfãos, seja qual for a causa da morte. Nos locais onde a epidemia do HIV/AIDS (SIDA) é muito grave, é provável que muitas pessoas nestes grupos sejam HIV+. Uma outra abordagem é a formação de grupos para um propósito específico – por exemplo, uma cooperativa de crédito para mulheres solteiras. Mais uma vez, em áreas onde o HIV é comum, estes consistirão de muitas pessoas que são HIV+.

Roger Drew trabalhou por muitos anos com a FACT em Zimbábue. Atualmente, ele é o diretor da Healthlink Worldwide, Cityside, 40 Adler Street, London, E1 1EE, Reino Unido Fax +44 207 539 1580 E-mail: info@healthlink.org.uk

 

This page was last updated on 06 December 2005